Na região Sudeste, há 4 hospices – serviços voltados a pessoas com doenças graves. São Paulo há 5 hospices e 127 leitos disponíveis para atender a esta população.
11 de agosto, 2026

São Paulo, 11 de agosto de 2026– O Brasil ampliou significativamente aoferta de cuidados paliativos nos últimos anos, mas ainda está longe degarantir acesso para todos que precisam desse tipodeassistência.Segundoa Academia Nacional de CuidadosPaliativos(ANCP),maisde625milbrasileiros necessitam de cuidados paliativos todos os anos,emumcenárioimpulsionado pelo envelhecimento da população e pelo aumento das doenças crônicas e progressivas.
Dados do Atlas Brasileiro deCuidadosPaliativos2025,daANCP,mostramque o número de serviços especializados praticamente dobrou em apenas três anos, passando de 234 programas, em 2022, para 423 em 2025. Apesar do avanço,adistribuiçãopermanecedesigualeevidenciaqueampliaraofertanão significa, necessariamente, aumentar o acesso.
O levantamento revela que 40% dosprogramasestãoconcentradosnaregião Sudeste, enquanto o Norte reúne apenas 3% dos serviços existentes. A concentração também ocorre geograficamente: 65%dosprogramasfuncionam nas capitais, deixando boa parte da população dointeriorcommenoracessoà assistência especializada.
O cenário brasileiro acompanha um desafio global. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), apenas cercade14%daspessoasqueprecisamde cuidadospaliativos, nomundo,conseguemefetivamentereceberesse
atendimento, o que reforça a necessidade de amplificar e qualificar essa assistência.
Para o médico paliativista Douglas Crispim, médico geriatra e Paliativista, especialista parceiro da Organização Nacional de Acreditação (ONA), o crescimento da rede representa um avanço importante, mas propõe uma nova etapa para os cuidados paliativos no Brasil.
"O país conseguiu ampliar o número de serviços, mas agora o desafio é consolidar programas estruturados, capazes de oferecer atendimento seguro, integrado e baseado em evidências. Não basta existir um serviço de cuidados paliativos; precisa estar organizado, atuar de forma multiprofissional e fazer parte da estratégia assistencial do hospital."
Além da expansão da rede, outro desafio é mudar a percepção da sociedade sobreoscuidadospaliativos.Aindaécomumassociá-losapenasaofimdavida ou à interrupçãodotratamento.Naprática,porém,devemseroferecidosdesde o diagnóstico dedoençasgraves,semprequehouvernecessidadedecontrolar sintomas, aliviar o sofrimento físico eemocionaleapoiarpacientesefamiliares nas decisões sobre o tratamento.
Essa mudança já pode ser observada no perfil dos atendimentos. Atualmente, 76% dos programas brasileiros atendem tanto pacientes com câncer quanto pessoas com doenças cardiovasculares, neurológicas, respiratórias, renais e outras condições crônicas, demonstrando que os cuidados paliativos deixaram de ser exclusivos da oncologia.
Na avaliação da gerente-geral operacional da ONA, Gilvane Lolato, o amadurecimento dos cuidados paliativos exige que a discussão avance da quantidade para a qualidade dos serviços. "O crescimento da redemostraque oscuidadospaliativosganharamespaçonosistemadesaúdebrasileiro.Agora, o desafio é assegurar que essa expansão seja acompanhada por critérios de qualidade, segurança do paciente e melhoria contínua. O Manual de CertificaçãoemCuidadosPaliativosfoidesenvolvidojustamenteparaapoiar
hospitais e outros serviços de saúde na implantação séria de programas estruturados, capazes de oferecerumaassistênciamaissegura,humanizadae alinhada às melhores práticas."
O manual, lançado pela ONA durante a Hospitalar 2026, estabelece critérios para avaliar a estrutura, os processos assistenciais e os resultados dos programas de cuidados paliativos. A proposta é apoiar hospitais públicos, privados e filantrópicos na organização de serviços capazes de ampliar o acesso, reduzir variações na qualidade da assistênciaefortalecerasegurança do paciente.
Para Douglas Crispim, o momento é decisivo para o país. "O envelhecimento da população fará com que cada vez mais brasileiros convivam durante anos com doenças graves e progressivas. O desafio não é apenas criar novos serviços, mas garantir que eles ofereçam um cuidado qualificado, integrado e centrado nas necessidades dos pacientes e de suas famílias."
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